quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O que é o tal "uso severo" descrito no manual do proprietário?

Amigos,

Conforme prometido na postagem de 27 de outubro (leia aqui), continuaremos a falar sobre lubrificação e, principalmente, sobre o tal "uso severo", ou "ciclo de dona de casa" descrito na maioria dos manuais do proprietário como motivo para efetuar a troca de óleo na metade do intervalo previsto.

Ao contrário do que muitos pensam, o carro que fica muito tempo parado e percorre apenas trajetos curtos apresenta maior desgaste nas peças móveis do motor do que o carro que percorre longas distâncias diariamente.

Ao contrário do que muitos pensam, o motor não está imerso em óleo - Foto: fazerfacil.com.br

Todo motor é projetado levando em conta uma temperatura ideal de funcionamento. Assim, quando um determinado tipo de lubrificante é especificado para aquele motor, mesmo sendo do tipo multiviscoso e agindo também na fase fria, sua ação de refrigeração e, principalmente, limpeza, só ocorrerá com o motor "em carga". Na maioria dos motores quatro cilindros flex, essa temperatura fica em torno dos 90ºC.

O óleo lubrificante tem três funções, sendo duas fáceis de visualizar: reduzir o atrito e trocar calor com as partes metálicas. A terceira função? Limpeza.

Detalhe pistão e biela - Foto: mecanicomaniacos.blogspot.com.br
Dentro do cilindro, onde ocorre a queima do combustível, é esguichado óleo (pelo lado oposto à queima) para reduzir o atrito entre a cabeça do pistão e a parede interna do cilindro. Para evitar a contaminação do óleo por um lado e da mistura ar combustível pelo outro existem os anéis de vedação. Para retirar o óleo da parede do cilindro antes de ocorrer a próxima explosão existe o anel raspador que, de propósito, deixa uma finíssima camada de óleo na parede do cilindro com o objetivo de limpar a carbonização resultante da queima. Obviamente o óleo que fica na parede do cilindro é queimado junto com o combustível.

Aqui, derrubamos mais um mito sobre consumo de óleo. Um carro que viaja muito sempre vai consumir alguma quantidade de óleo, sem que isso signifique problemas. Pelo contrário: o consumo de óleo neste caso é benéfico e significa que o motor está continuamente se autolimpando.

Detalhe anéis de vedação e anel raspador - Foto: www.preparados.com.br
A questão é que esta função de limpeza só ocorre a partir de uma determinada temperatura. Um motorista que utilize o carro para ir ao trabalho diariamente e percorra cinco ou seis quilômetros para ir, mais cinco ou seis quilômetros para voltar, observará um desgaste em seu motor maior do que aquele motorista que está a cinquenta quilômetros do trabalho. É claro que o motor não vai estragar com este uso, mas neste caso, trocar o óleo na metade do tempo garantirá uma maior durabilidade e um melhor funcionamento para aquele motor.

A Volkswagen do Brasil experimentou problemas de lubrificação nos cabeçotes dos primeiros Gol geração V exatamente por isso. Muitos proprietários do Gol 1.0 o utilizavam como segundo carro, dentro da cidade, apenas para percursos curtos. O óleo no cárter acabava contaminado por combustível, pois não ficava óleo nenhum nas paredes dos cilindros e escorria combustível entre o cilindro e o anel raspador. Com gasolina, ou álcool, misturados ao óleo, este perdia poder de lubrificação e logo se ouvia barulho do atrito das válvulas. A solução? Um cárter maior, para minimizar a contaminação e a orientação aos proprietários de que este uso sim é uso severo e que a troca de óleo deve ser feita na metade do tempo.

Aliás, é aos Engenheiros da VW que se credita a criação do termo "ciclo de dona de casa".

Não é gratuitamente que donos de carros antigos, ou pelo menos os mais zelosos não apenas funcionam seus motores uma vez por semana, mas também dão uma boa volta com seus carros, de trinta quilômetros ou mais, para que seus motores entrem na faixa de temperatura ideal de funcionamento.

Aqui fica mais uma dica: não é só o motor que sofre com a inatividade. Todos os componentes do carro, do ar condicionado aos freios, se deterioram com o veículo que fica muito tempo parado ou que roda pouco. Graxas e lubrificantes perdem ação, fluído de freio estraga, mangueiras ressecam e racham, sapatas de freio se esfarelam, e por aí vai. Muita gente acha que está "economizando" o carro, quando na verdade terá mais prejuízos.

Carro foi feito para rodar. Se você é um dos 17 leitores do blog ao menos gosta um pouco de carros. Então, se existe em sua garagem um carro parado, ou que rode pouco, fique atento ao nível e a troca de óleo e aproveite a desculpa para dar uma boa esticada com ele no final de semana.

Um forte abraço e até a próxima postagem,

Bruno Hoelz

domingo, 27 de outubro de 2013

Tipos de óleo: o lubrificante correto para o seu carro

Amigos,

A escolha do óleo lubrificante para o motor do seu carro é um dos assuntos automotivos mais carregado de mitos. Quando chega o momento da troca, tem sempre um frentista, um mecânico ou mesmo um amigo com dicas do tipo: "use óleo sintético que roda 15.000 quilômetros" ou "use óleo mais fino que lubrifica melhor com o motor frio".

Troca de óleo - Foto: google imagens
Você não escolhe o óleo do seu carro. Bem, pode escolher a marca, mas nunca a especificação! A escolha do tipo de óleo já foi feita lá atrás, durante o projeto do motor. Assim, por que você usaria algo diferente do que os engenheiros testaram exaustivamente para o motor do seu carro?

Pois muita gente usa. Já ouvi o vendedor de uma grande rede de serviços oferecer óleos diferentes para rodar mais ou menos quilômetros. Isso para o mesmo carro! Talvez inspirado naquele programa automotivo dominical da TV aberta...

Quando um motor é criado, um dos parâmetros de projeto é a folga entre as peças móveis, que deverá ser preenchida pelo óleo lubrificante. Motores com folgas menores exigem óleos menos viscosos (mais "finos") para preencher esses espaços, motores projetados com folgas maiores exigem um óleo mais viscoso (mais "grosso"), pois um óleo mais fino escorreria sem lubrificar adequadamente o espaço entre as peças.

A classificação do óleo se dá por uma série de letras e números. O manual do proprietário da Fiat Strada Fire, modelo 2012, por exemplo, preconiza o óleo SAE 5W30 API SL, de base sintética.

O que isso significa?

A classificação "SAE" (sigla em inglês de Sociedade dos Engenheiros Automotivos dos Estados Unidos) indica a viscosidade do óleo. O primeiro número indica o grau de viscosidade do óleo em temperatura ambiente e o segundo número indica a viscosidade do óleo em temperatura de serviço do motor. Quanto maior o número, mais viscoso ("grosso") é o lubrificante.

A classificação "API" (sigla em inglês de Instituto Americano do Petróleo) indica a qualidade e o nível desenvolvimento do lubrificante. A letra "S" indica óleos para motores quatro tempos, álcool, gasolina ou ambos. A letra "L" indica a fase de desenvolvimento. Quanto mais para o final do alfabeto, mais moderno é o lubrificante.

Qual óleo lubrificante o proprietário da Fiat Strada deverá utilizar então?

O lubrificante a ser utilizado na picapinha deverá ser, obrigatoriamente sintético, obrigatoriamente um 5W30 e, no mínimo, um SL. No caso da classificação API, poderá ser utilizado um óleo superior, como um SM, SN ou SO. Porém, a classificação mínima atenderá perfeitamente as necessidades de lubrificação do motor.

Não importa a marca, importa a especificação - Foto: google imagens
E o prazo para troca? O mesmo manual do proprietário da Fiat Strada preconiza a troca a cada 15.000 quilômetros ou um ano, o que ocorrer primeiro, já que o óleo perde suas características também por envelhecimento. Também faz uma ressalva ao uso severo, indicando a troca na metade da quilometragem ou do tempo, o que ocorrer primeiro, neste caso.

Assim, não é o tipo de óleo, seja  sintético ou mineral, 5W30 ou 20W40, que ditará o momento da troca, mas sim o projeto do motor, com seu intervalo de troca indicado no manual do proprietário.

E quanto ao tal uso severo? Bem, a pior situação que o motor do seu carro pode enfrentar é não atingir a chamada temperatura de serviço. Veículos que rodam poucos quilômetros por dia nunca atingem a temperatura de serviço e tem a lubrificação comprometida, exigindo mais do óleo, que deverá ser substituído num intervalo menor. Alguns Engenheiros, numa analogia machista, chamam este uso de "ciclo de dona de casa", que será nosso assunto da postagem da próxima quarta-feira.

Um forte abraço e a té a próxima!

Bruno Hoelz

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Paixão à primeira volta.

Amigos,

Dizer que um carro é bom/ruim, ou melhor/pior, antes de tudo, é uma questão de repertório. Dificilmente alguém que passou a vida dirigindo sedãs alemães vai achar bom um popular nacional, embora os populares nacionais não possam ser considerados carros ruins.

Digo isso pois aconteceu um caso curioso comigo:

Meu sogro sempre foi fã da linha Ecosport, desde seu lançamento em 2003. Tanto que comprou um dos primeiros, para substituir uma Ford Ranger. Nem preciso dizer que o jipinho não conseguiu cumprir todas as tarefas da Ranger, mas isso pouco importou para meu sogro, que teve de substituir toda a embreagem lá pelos 35.000km e de novo tempos depois, mas manteve-se fiel. Para ele, o Ecosport era o melhor carro que se podia comprar.

Em 2011 ele quis comprar um novo carro e nos pareceu óbvio voltar à Ranger, ou alguma outra picape, considerando o tipo de uso que ele fazia do já judiado Ecosport. Porém, lá estava em exibição um Ecosport dos mais completos e ele adorou o face-lift que fora efetuado anos antes.

Saímos da Concessionária de Ecosport novamente...

Há algumas semanas porém, enquanto esperava o sinal abrir, meu sogro foi vítima de um distraído motorista que amassou a traseira do pobre Ecosport. Sem seguro, se viu obrigado a alugar um carro para continuar indo ao trabalho, enquanto seu jipinho ganhava um novo para choque e nova pintura.

Minha esposa e eu nos preparávamos para viajar na ocasião e nos pareceu adequado deixar nosso Honda Civic com ele, uma vez que não precisaríamos do carro (iríamos de avião). Assim, meu sogro economizaria com o aluguel e não deixaríamos o carro parado.

Após uma breve explanação sobre o uso do câmbio automático e outros comandos, meu sogro saiu dirigindo, com impressionante competência para quem nunca havia enfrentado aquele tipo de câmbio antes, o primeiro Honda que experimentara em sua vida.

Três semanas depois, voltando de viagem, a surpresa: meu Honda não seria devolvido. Meu sogro, já completamente apaixonado pelo pragmatismo nipônico apenas comunicou que o carro seria seu, sem negociação. Apenas pediu que eu lhe dissesse o valor que ele deveria pagar para que eu ficasse com o seu Ecosport. Nunca me passou pela cabeça vender o Civic com apenas um ano de uso,  mas não se deve ir contra paixões à primeira volta.

Agora, meu sogro apregoa a todos que o Honda Civic é o melhor carro que se pode comprar. E nada de falar ou lembrar do Ford Ecosport, sua paixão por quase uma década.

Ah, e hoje sou proprietário de um Ford Ecosport, ainda sem o para choque traseiro...

Um forte abraço e até a próxima!

Bruno Hoelz

domingo, 11 de agosto de 2013

Fiat Mille Economy 2013 - Impressões

Amigos,

Conforme contei na postagem de 4 de julho, sobre a revisão de 20.000km do Honda Civic 2012 (VEJA AQUI), solicitei o reparo do acabamento superior do painel, bem em cima da tampa do air bag do passageiro. O reparo ficou bom, como contarei na próxima postagem, pois ainda preciso fazer boas fotos para mostrar o antes e o depois, mas o assunto hoje é o Fiat Mille Economy 2013.

A cor prata é quase padrão entre as locadoras, pensando na facilidade de revenda - Foto: Autor
O pequeno veterano da Fiat veio ao meu encontro como carro alugado, enquanto ocorria o reparo no painel do Civic. Na verdade foi um reencontro, pois meu primeiro carro - registrado em meu nome e não apropriado da garagem de casa - foi um Mille Fire 2003, comprado zero quilômetro.

Quando se conhece um carro intimamente é como andar de bicicleta. Mesmo quase uma década depois me senti à vontade, pois posição de bancos, painel e volante - apontado para cima desde que foi adotada a coluna de direção da linha Palio, em 2001 - é a mesma.

A (única) surpresa foi encontrar um painel bonito e completo que, mesmo sem contar com contagiros, dá uma ótima impressão. Em meu antigo Mille 2003 havia um painel depenado de tudo com um icônico sujeitinho com o cinto afivelado desenhado no lugar do termômetro de água.

Painel quase completo, com econômetro e hodômetro parcial - Foto: Autor
Bem, e quais impressões passa o decano Mille?

EXTERIOR:

O inconfundível desenho, projetado por Giorgetto Giurgiaro no início dos anos 1980, permanece com leves alterações. Faróis, lanternas e posição da placa traseira mudaram com o passar dos anos. A (interessante, diga-se) versão pseudo aventureira WAY ainda possui maior altura em relação ao solo, molduras de plástico nas caixas de roda e adesivos.

A mesma carroceria há mais de 30 anos! - Foto: Autor
Quando lançado, muita gente torceu o nariz para seu desenho, considerado controverso, moderno demais. Atravessou incólume modismos quadrado/redondo/quadrado e se firmou na lista daqueles produtos industriais cujo desenho se tornou atemporal, resistindo a quatro, cinco gerações de seus concorrentes.

Objeto de desejo? Não acredito. Os atributos do Mille hoje são outros: preço e economia.

INTERIOR:

Aqui, uma viagem aos anos 1980/90. Projetado numa época pré air bag, o painel conta com uma grande prateleira funda em quase toda a sua extensão. O esmero em sua fabricação, porém, diminuiu com o passar do tempo: em alguns vãos entre as peças plásticas dá para colocar o dedo!

Plásticos mal encaixados no painel - Foto: Autor
O interior é arejado, com boa visibilidade, ajudada pela terceira janela lateral. O som - na verdade o buraco que a locadora preencheu com um MP3 player fabricado na China - parece baixo demais quando comparado com projetos mais modernos.

Não encontramos os comandos do ar condicionado, nem mesmo desembaçador traseiro ou vidros elétricos. É um carro básico. A recente investida da indústria automobilística em modelos de entrada mais equipados,  pressionada pelos Coreanos e Japoneses quase nos faz esquecer que ainda existem modelos zero quilômetro à venda sem direção assistida ou ar condicionado. Tal despojamento ficou relegado aos modelos mais antigos de cada marca: Fiat Mille, VW Gol G4 e GM Celta.

IMPRESSÕES:

A primeira impressão ao manobrar o pequeno Fiat no pátio da locadora é a direção, mais pesada que o esperado. Porém, a direção do Mille é das mais leves entre os carros básicos. Experimente manobrar um VW Gol G5 sem direção assistida (sim, eles ainda existem!).

Já na estrada o Mille ganha velocidade com galhardia, nem parece um carro "mil". O câmbio é mais longo do que se imaginaria em um carro com essa cilindrada, principalmente a quinta marcha, alongada em relação à original desde que ganhou a denominação "economy".

Os 66cv e os 9,2 kgf.m já às 2.500 RPM (quando abastecido com álcool), somados ao baixo peso de 820 kg garantem alguma diversão ao volante, só arrefecida pelas modificações implementadas na suspensão que assim como a quinta marcha mais longa deixaram o carro mais "economy", porém com  menos apetite para curvas. No quesito comportamento na estrada, meu antigo Mille 2003, apesar de menos potente, era mais estável.

CUSTO BENEFÍCIO:

Completo, o Mille bate na casa dos R$ 30.000,00, competindo com modelos mais modernos. Porém, essa não é a praia do pequeno veterano. Básico, chega a ser negociado por R$ 20.000,00, o que, na prática, o torna o carro mais barato do Brasil.

Ao contrário de outros modelos, o Mille não parece um modelo completo que foi depenado. Ele já nasceu simples (como Uno), foi projetado sem direção assistida ou outros mimos que fazem menos falta nele do que em seus concorrentes.

Por R$ 20.000,00, se precisasse de um segundo carro, não hesitaria em escolher um Mille. Se você concorda, corra! A produção - e vendas - termina ainda este ano, pois a Fiat já anunciou que não equipará o modelo com air bags frontais e freios ABS, como a legislação exige a partir de 2014.

Um forte abraço e até a próxima!

Bruno Hoelz

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Uma Yamaha XT 225 de volta à ativa! (e um novo motociclista)

Amigos,

Até meus 30 anos nunca havia pilotado uma moto e me julgava um motorista educado com os companheiros de duas rodas. Com 31 resolvi que tinha de aprender a pilotar e ter habilitação para conduzir motocicletas, já que pelo menos meia dúzia de vezes tive de recusar pedidos para pilotar e resolver problemas, como o de um amigo que foi de moto a uma festa e resolveu beber uma cervejinha.

Prova prática - Foto: divulgação DETRAN RJ
Fiz o caminho que alguém sem amigos para ensinar por perto faria: me matriculei numa Moto Escola Fizeram falta dois amigos motociclistas, distantes o suficiente para inviabilizar aulas práticas, embora um deles e sua Harley Davidson Dyna estivessem dispostos a rodar algumas centenas de quilômetros pela missão.

Com o mínimo de aulas obrigatórias estava, segundo meu paciente instrutor, apto a realizar o exame. O que eu viria a descobrir mais tarde é o quanto a prova prática está distante da realidade que é pilotar nas ruas e estradas. Mais distante ainda que a prova prática para conduzir automóveis, que ao menos é realizada no trânsito e não numa pista fechada que mais parece uma competição de acrobacias.

Com 32 anos apareceu um "negócio de ocasião". Embora não ligue muito para negociar coisas, a dona do Gurgel cuja história contei AQUI comentou comigo que precisava de dinheiro e havia uma velha Yamaha XT 225 1999 meio que abandonada ao lado de sua casa. Levantei os débitos da motoca, fiz uma oferta e a levei para casa.

Para alguém que precisasse de transporte diário confiável não teria sido uma boa escolha. Para alguém como eu, que adora estar entre gasolina e graxa, não poderia ter sido melhor. Logo descobri que era uma moto difícil de mexer, com peças caras e raras e nenhum valor de revenda. Havia comprado um Fiat Marea Turbo de duas rodas! Não poderia ser mais divertido.

Depois do trato, ao lado da Shadow de uma amigo que (tenta) me ensinar a pilotar - Foto: Autor
Três banhos depois, o cromado das rodas e raios voltou a aparecer. O carburador precisou de uma limpeza meticulosa. Me surprendi com algumas peças novas, como bateria e filtro de ar, bem como corrente e relação, que haviam sido trocadas pela dona antes de encostá-la ao lado de sua casa. Carburador e filtros no lugar, óleo novo e vruuum, pegou de primeira um ano depois de ter sido ligada pela última vez! Tá, com uma ajudazinha: coloquei a bateria em carga lenta na véspera.

Ainda faltam algumas coisas, como achar o acabamento da torneira do combustível e trocar algumas peças plásticas maltratadas pelo tempo, mas a moto é uma delícia de pilotar. Não sou eu, que só conheço ela como moto, que digo, mas muitos motociclistas, experientes ou não, nos vários blogs que tenho lido a respeito de motos e pilotagem.

Tenho muito o que aprender, mas nos pouco mais de 500 quilômetros que rodei em duas rodas vi que a convivência entre carros e motos não é nada pacífica. Porém, já entendi duas coisas: que pilotar uma motocicleta numa estrada vazia é uma das melhores coisas que se pode fazer! E que eu não sou um motorista tão educado assim com os motociclistas...

Um forte abraço e até a próxima!

Bruno Hoelz

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Revisão na Honda

Amigos,

Uma das postagens mais visitadas do Blog é a CARRO NA GARANTIA, REVISÃO NA CONCESSIONÁRIA, onde tento fazer uma espécie de guia, para que o incauto cliente sobreviva as conhecidas políticas de serviços desnecessários ou mal executados das concessionárias.

Como autoentusiasta da família, sou responsável pela manutenção de meia dúzia de carros, alguns deles ainda em garantia, o que me obriga a conviver com concessionárias de diversas marcas.

Pois bem, chegou a hora de efetuar a revisão dos 20.000km do Honda Civic 2012. O objetivo inicial da postagem desta semana era aproveitar o marco na quilometragem para falar sobre o carro, já que é o veículo que mais utilizo, depois do Gurgel Tocantins (cuja história já contei AQUI). Porém, pude acompanhar bem de perto o serviço efetuado e o cuidado e apuro técnico que observei na concessionária merecem registro.

Ambiente limpo, bem iluminado e com total acesso para o cliente - Foto: Autor
A oficina é limpa, organizada e bem iluminada. Os mecânicos usam macacões brancos! O orçamento é claro e fiel à manutenção preventiva preconizada no manual do proprietário, sem a "recomendação" de outros serviços.

Carro no elevador, pude me aproximar e conversar com um tímido, porém solícito e paciente mecânico que explicou didaticamente cada serviço que estava executando. Acreditem, ele realmente sabia o que estava falando e conhecia intimamente o carro.

Limpa contatos aplicado em diversos pontos da instalação elétrica, bornes da bateria limpos, dobradiças e fechaduras lubrificadas, tudo, absolutamente tudo conferido, da facilidade para abrir capô e porta malas até o funcionamento de luzes e equipamentos.

O ferramental é um capítulo à parte: cada presilha era retirada com um sacador, sem adaptação de ferramentas, como nas Fiats e Fords onde vou com outros carros. O melhor, porém, estava reservado para a metade final do serviço.

Torquímetro! Na hora de efetuar a remontagem de alguns componentes e fazer o chamado reaperto de carroceria e suspensão, o mecânico abriu uma tabela em seu notebook e passou a utilizar um torquímetro, aplicando o torque correto em dezenas de parafusos sob o Civic.

Para um autoentusiasta, ver seu carro sendo tratado do jeito que deve ser - e não por aquele mecânico que repete "É besteira... Não precisa..." - é algo que traz satisfação. Isso vir de um mecânico de concessionária, e não do seu mecânico de confiança, é para ganhar o dia!

Rodas, após o balanceamento e rodízio, foram montadas com o torquímetro, bem como o parafuso do dreno do cárter, que recebeu pouquíssima carga, pois o mecânico o apertou com os dedos, bastando menos de 1/4 de volta com o torquímetro para o estalo indicar o torque correto. Filtro de óleo foi rosqueado com as mãos, como deve ser. Até o protetor de cárter recebeu o torque correto!

Consultor monta placas verdes para teste de rodagem - Foto: Autor

Após o alinhamento, teste de rodagem. Porém, nada de simplesmente pegarem seu carro e saírem. Antes, é montado um par de placas verdes sobre as do veículo. Assim, a responsabilidade caso ocorra algum acidente, com seguro total, além de eventuais multas, fica toda por conta da concessionária.

Revisão efetuada, manual carimbado. Custo? Revisão dos 20.000km: R$ 333,60. Alinhamento/balanceamentos: R$ 145,00. Não é surpresa que o carro que este Civic substituiu - um outro Civic 2007 - teve suas revisões carimbadas até sua troca, com pouco mais de 100.000km.

Ao final da revisão, o consultor pediu que eu assinasse mais alguns papéis. Na entrada do carro na oficina, reclamei que havia uma peça desalinhada no painel. Uma funcionária veio durante o serviço, tirou algumas fotos e preencheu um formulário.

Peças desalinhadas no painel - Foto: Autor
O consultor informou que a peça desalinhada é a tampa do air bag do passageiro e que, talvez, o problema só seja resolvido com sua substituição completa. Numa prova de respeito ao consumidor, a Honda cogita substituir uma peça de alto custo, em garantia, para alinhar o acabamento do painel! Estou aguardando contato da concessionária e contarei o final desta história tão logo se resolva.

Sim, eu sei, vivemos uma inversão de valores. O tratamento recebido na Honda é que deveria ser regra, mas não é o que vivemos nas concessionárias. É pena que a história de um consumidor que recebe o tratamento correto é a que mereça registro.

No próximo mês outro carro da "frota", uma Fiat 500, fará 30.000km. Sua dona (ainda) faz questão de mantê-lo na garantia. Já estou me preparando para a batalha: depois desta experiência na Honda e considerando as experiências anteriores na Fiat, será como ir do céu ao inferno.

Acreditem: dependendo do serviço efetuado, após carimbar a revisão no manual, o Fiat precisa ir ao mecânico de confiança para conferência e ajustes. Será que vale a pena manter a garantia assim?

Um forte abraço e até a próxima!

Bruno Hoelz

Ilegalidade na RJ 116 - ATUALIZAÇÃO

Amigos,

Não creio que tenha sido a postagem anterior deste Blog, mas sim o bom senso comum, pois os tachões relatados em 14 de junho viraram quebra molas que, aparentemente, estão dentro do padrão previsto na resolução do CONTRAN.

Fico devendo as fotos, mas achei importante relatar a correção, já que fui um dos que reclamou.

Um forte abraço,

Bruno Hoelz